sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Entrevista com a artista plástica Maria Angélica


Entrevista com Maria Angélica, Guaraciense, professora, e artista plástica que desenvolve os projetos artísticos de decoração dos principais eventos de nossa comunidade.

As peças montadas pela professora e artista plástica Maria Angélica, quando estão expostas nas praças e ruas de Guaraci, são muito admiradas pelos turistas e agradam nossa comunidade, que não cansa de tecer elogios sobre elas. Suas montagens nos leva rapidamente a gostar de tudo. Porém, não nos permite descobrir ou avaliar o quanto de esmero, de pensamento sutil, ou de quanta imaginação e aplicação, é preciso para a conclusão de cada uma dessas peças. Pensando nisso e para que você possa saber mais sobre a arte de Maria Angélica, repasso aqui uma entrevista que ela me concedeu.

P – Como e quando você descobriu que possuía um dom artístico?

R - Quando completei nove anos. A descoberta se deu quando estava brincando de passar o anel com minhas amigas e no momento em que o anel desapareceu, me lembro triste, mas quando consegui recolhê-lo, fiquei feliz e comecei então a desenhar e a pintar com giz molhado sobre piso da calçada tentando refletir as asas de um anjo da guarda. Foi quando passei a gostar dos meus traços.

P – Você tem preferência por alguma de suas pinturas?

R- Sim, pintei o afresco “Ondas” a mão livre, que gosto muito.




P – Levando em conta que você já estava direcionada para a arte, pintando telas, e sabendo que trabalhar com objetos, é um trabalho ao cubo da pintura, houve obrigatoriamente uma mudança e um acréscimo em suas habilidades, essa mudança foi difícil?

R - Sim, pintar é uma forma de arte mais suave porque são traçadas no mundo plano, mas um objeto ou uma escultura exige mais imaginação, dedicação, e muito cuidado na profundidade das formas, pois um erro pode destruir todo o andamento do trabalho.

P – Acredito que você tem um estilo próprio. Você desenvolveu seu estilo instintivamente?

R - Sim com o tempo desenvolvi meu estilo próprio. Muitas vezes me defronto com materiais inadequados no momento da criação, exigindo racionalidade, e instintivamente me surge uma nova postura para que a criação em mente venha a se concretizar, mas tudo se resolve a contento. Acho também que o estilo sofre influência de certos fatores internos de nossa personalidade.

P – Na montagem de objetos de grande porte, como as baianas, é sabido que há um grau de dificuldade maior, no que diz respeito à proporcionalidade na ampliação desses objetos, e você trata muito bem as proporções. Você faz cálculos ou essa sua habilidade é instintiva?

R - Na pratica os cálculos de proporção se formam de maneira instintiva, pois a noção de ampliação se aplica a cada detalhe da peça que está sendo criada, como ocorre na montagem de um quebra-cabeça.

P – Em toda a sua experiência, você tem preferência por alguma de suas peças que foram expostas na cidade?

R - Quanto aos materiais, gostei muito do “Mosquito da Dengue” desenvolvido a partir de um bloco de isopor e quanto às garrafas pet ainda prefiro o efeito das “Garças”.





P – Ao desenvolver peças que serão expostas na cidade, o fato de ser uma guaraciense nata, é uma condição que pesa, ou que chega a influir na qualidade de suas criações?

R - O fato de ser guaraciense pesa no sentido de que me esforço e me exijo mais para ser mais precisa na execução de minhas criações. Penso na projeção da cidade, nos turistas, mas penso principalmente em nossa comunidade, nas crianças e adultos. E fico muito feliz quando eles gostam, quando tiram fotos e as elogiam porque são peças realizadas por guaracienses.

P – Como você vê, hoje, a experiência de trabalhar com materiais descartáveis?

R - Lembro primeiramente da importância da conscientização quanto à preservação do meio ambiente. Em segundo lugar, os trabalhos devem deixar que o olhar, voltado para a vista da paisagem artificial, possa se tornar um palco, aos olhos daqueles que sonham e muitas vezes levam como lembrança ao mundo, que teremos êxito com a reciclagem em grande escala e a consciência de deixar o planeta melhor.

P – À parte tudo que o aluno aprende sobre reciclagem e preservação do meio ambiente, como você vê a influência do trabalho de arte, sobre os alunos que participam dos projetos?

R - Além da conscientização, eles aprendem a amar a arte usando suas próprias mãos, e com isso, eles podem apalpar que é possível fazer do sonho, uma realidade. Penso muito no futuro de nossas crianças.

P – Você acredita que arte pode ser aprendida ou é um dom natural?

R - Um bom e dedicado aprendiz, ao executar um trabalho que envolve arte, ganha consciência, aprende e sabe quando se chega a um bom resultado. Acredito que isso acontece em todas as artes porque a criação está dentro da mente de cada um. Também acredito que alguns traços feitos com inspiração e um pouco de habilidade, podem se tornar arte. Quanto ao dom natural acho que é um mistério. Penso que são aqueles que Deus ordena aos habilidosos que se esforcem e que continuem desenvolvendo suas obras, para o caminho daquilo que cada um deles é capaz de perceber como perfeição.

P - O que um aluno de Guaraci deve fazer se quiser desenvolver o esse talento e por onde deve começar?

R - Ser consciente da importância do trabalho, procurar fazer bem feito e sempre, sempre ter curiosidade para aprender e se desenvolver mais e mais.
Ter forca de vontade para melhorar suas habilidades, seu trabalho manual e desempenhar com responsabilidade os instrumentos e os meios para que, em cada peca criada e montada, seu talento possa ser reconhecido, aplaudido, e quem sabe, no futuro, bravamente lançado em forma de fogos de artifícios.








O blog ‘Guaraci Divisa com Minas’ agradece a Maria Angélica pelo tempo dedicado a esta entrevista. Que você tenha muito sucesso!

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