segunda-feira, 30 de junho de 2014

Primeiro Aniversário do Ginásio Estadual de Guaraci e a marcha das tochas



Aqueles foram dias de comemoração
Era dia 20 de Abril de 1958, aniversário de um ano da instalação do Ginásio Estadual em Guaraci, uma escola pública para o que era tido como ensino secundário na época. As famílias se juntaram aos integrantes do Ginásio para prepararem uma comemoração sem precedentes na cidade. Foram entusiasmados dois dias de festa com diferentes eventos culturais e esportivos que marcaram essa data. A comunidade se mostrava agradecida e orgulhosa pela oportunidade de ver seus filhos caminhando na direção de um futuro mais promissor. O ânimo era regido pela esperança, afinal desde os anos 30, o Grupo Escolar, fora o último grau de educação na cidade. 


Ginásio Estadual de Guaraci instalado no ano letivo de 1957 _ destaque para a iluminação da quadra esportiva, inaugurada em setembro desse mesmo ano.


Manchete do jornal “O GUARACIENSE” do dia 20.04.1958


Recorte do texto da manchete de 20.04.1958 - ampliado


Síntese do contexto histórico-cultural da época
Guaraci - 1957/58
Nesta época, os costumes, as regras de convívio eram outras. Guaraci vivia a era do rádio. Os sinais de transmissão de TV, inaugurados na cidade de São Paulo em 1950, não chegavam por aqui. O Brasil passava pelo ambicioso plano de metas do presidente Juscelino Kubitschek, de “50 anos em 5”. A cidade de São Paulo e seu entorno registrava um forte crescimento industrial. Revistas e jornais ganhavam maior circulação. As propagandas de bens de consumo apresentavam, desde eletrodomésticos e produtos alimentícios, a vespas e automóveis. Muito embora os anos 50, conhecidos como Anos Dourados, sejam considerados um período de grandes transformações, nas pequenas cidades, as normas e valores sociais continuavam por muito mais tempo apegados as tradições. O cotidiano da tranquila cidade de Guaraci, contornado pelas influências desenvolvimentistas, seguia entre os velhos costumes e uma aspiração latente por mudanças. Por um lado, permaneciam os passeios noturnos pela praça recém calçada que se enchia aos finais de semana; o recato dos namoros, na praça e no portão; e tudo se aquietava às 10h00 horas da noite, hora de ir para cama. Desse tempo, se reconheceria: um grande número da população vivendo em áreas rurais, cavalos e muares transitando diariamente pelas ruas da cidade; as prateleiras e o cheiro dos armazéns, das lojas de tecidos, e a visão, do lápis atrás da orelha; os quintais cultivados, as muretas baixas recortadas na frente das casas; e os poucos, mas inesquecíveis e aguardados bailes do Guaraci Clube. O jornal local, “O Guaraciense”, atualizava as notícias da semana. Por outro lado, os filmes apresentados no Cine Pio XII presumiam as tendências de um novo estilo de vida a caminho. As músicas dançantes do início do “rock and roll”, tocadas no rádio e pelo alto-falante ‘O Bandeirante’ da praça, anunciavam fortes mudanças nos sucessos musicais. O rádio ocupava um grande espaço na vida das pessoas, seja informando, divertindo ou emocionando, e impulsionava a indústria de discos. Em 1958, chegou ao primeiro lugar nas paradas de sucesso a cantora brasileira, Lana Bittencourt, cantando, num sofrível inglês, a música “Little Darling”; música original de sucesso no ‘Hit Parade’ americano de 1947, gravada, entre outros, pelo grupo canadense “The Diamonds”.
Primeiro lugar nas paradas de sucesso do rádio de 1958
Little Darling - Lana Bittencourt – Ouça o hit da época aqui:

Uma lenta e contínua mudança nos hábitos das pessoas acontecia em todos os lugares. Todos os avanços tecnológicos eram muito novos nessa época. Os bens de consumo, anunciados para facilitar o dia-a-dia das pessoas, faziam sucesso e se modernizavam a cada lançamento, com novos estilos e desenhos.


Propaganda de produtos lançados no ano de 1958


Produtos de 1958
 

Manchete do jornal do O GUARACIENSE do dia 27.04.1958



Recorte do texto da manchete de 27.04.1958 - ampliado

(“marché aux flambeaux” _do francês: marcha das tochas)





70 tochas para um desfile noturno sem precedente na cidade




Apesar do alto índice de analfabetismo no município nessa época (mais de 50%), a comunidade aliava-se à escola nas campanhas e eventos para elevar a educação de suas crianças e adolescentes. Os alunos mantinham-se motivados e as faltas à escola, eram raras. Os professores tinham inegável prestígio dentro da comunidade. As famílias os tinham em alta consideração. Os alunos os respeitavam e os admiravam pelo aspecto intelectual da profissão, e de tal forma que, esse exemplo, inspirou muitas formaturas de futuras professoras e professores guaracienses para o ensino primário. Os alunos com seus uniformes sentiam-se cuidados por toda a comunidade. Positivamente, o que não faltava nesses anos, era um grande sentimento de solidariedade entre os cidadãos.



                                                                         Desfile cívico em 1958


                                                                    Desfile cívico em 1958



 
                                                                   Desfile cívico em 1958


Currículo do Ginásio de 1958 - Instituído pelas Leis Orgânicas e distribuídos durante os quatro anos:



Português

Latim
Francês
Inglês
Matemática
Ciências Naturais
História Geral
História do Brasil
Geografia Geral
Geografia do Brasil
Desenho
Trabalhos Manuais
Canto Orfeônico

Corpo docente e administrativo do Ginásio Estadual de Guaraci em 1957
Corpo docente:
Maria Ignez Seragini, Cássia Cezar Azevedo, Flávia Spilimbergo, Rosalina de Almeida, Nelson Nicolau, Edite Vicente, Zina Robazzi, Sebastião Vieira Lopes, Edson Eduardo Pereira, Myrian Martha Tannuri.
Administração:
Diretor: Alfredo Naylor Azevedo
Secretário: José Ribeiro
Inspetor de Alunos: Jarbas de Lima
Servente: Salustiano Alves Tojeira
Fonte: Jornal “O Guaraciense” – Setembro de 1957

Governos em 1957/1958
Presidente da República: Juscelino Kubitschek (1956/1961)
Governador do Estado de São Paulo: Jânio Quadros (1955/1959)
Prefeito Municipal de Guaraci: João Custódio Sobrinho (1956/1959)

Evolução do nome do Ginásio de Guaraci:
Ginásio Estadual de Guaraci (1957)
Ginásio Estadual “José Antonio Santana” (1961)
Escola Estadual “José Antônio Santana” (atual)

Os vínculos professor/aluno permanecem para sempre. São reconhecidos nas lembranças, onde muitos agradecem pelo trabalho de ensino/aprendizagem, deixados nos corredores e nas salas de aula do Ginásio Estadual de Guaraci.





 


domingo, 25 de maio de 2014

Paisagismo urbano: a árvore expulsa da praça



Era a árvore certa no lugar certo. Não foi por acaso a escolha do Fícus microcarpa para ornamentar o jardim da praça, no começo do século XX. Bastava um olhar para que as pessoas admirassem sua copa de exuberante vigor. Suas folhas brilhantes refletiam a luz do sol e, pequenas e fartas, conferiam densidade à copa produzindo uma sombra refrescante e ímpar. E a sombra frondosa não era tudo que a árvore oferecia para se destacar num jardim. Apresentava outras qualidades como: pouca queda de folhas, crescimento rápido, além de se reproduzir facilmente por estaquia. Mas, nem só por isso era a árvore certa. Um dos maiores atrativos da espécie era o excelente resultado de sua topiaria. A poda de sua copa possibilitava variados desenhos geométricos, que elevava a beleza dos jardins. Portanto, naquela época, era muito bem recomendada por viveiristas e jardineiros.


Árvores adultas de F. microcarpa podadas em diferentes formas geométricas. Praça _final dos anos 20
O brilho das folhas do F. microcarpa


Dois exemplares de F. microcarpa _geminados por poda




Trabalho de topiaria _em linhas retas _ F. microcarpa



Vinda do continente asiático, essa planta ornamental, que hoje se encontra difundida por todo o globo, principalmente nos países de clima tropical, foi introduzida na cidade do Rio de Janeiro no final do século XIX e, por suas qualidades, fora espalhada, ano a ano, por todo o Brasil.

A primeira referência escrita que se tem sobre a introdução no Brasil da espécie Fícus microcarpa (microcarpa quer dizer: pequenas sementes), reporta-se à reforma dos jardins da Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro, a pedido de D. Pedro II, iniciada por volta de 1869 e executada pelo chamado ‘Paisagista do Império’, o francês Glaziou (Auguste François Marie Glaziou), com a criação dentro desse projeto, do Bosque das Figueiras¹. Glaziou  “[...] introduzia e valorizava diversas espécies nativas ainda pouco conhecidas entre nosso público como também incluía várias “jóias” da botânica internacional [...] (ETZEL, 2011. p. 43)”. Vale dizer, que se deve também a Glaziou, o início da adoção de plantas brasileiras em praças e ruas, destacando-se o oitizeiro ‘Licania tomentosa’, planta que, por acaso, domina hoje as calçadas de Guaraci.


Árvores de fícus com mais de trinta anos _praça em 1947

Jardim da praça _anos 50




Árvores jovens de fícus ao lado e ao fundo da Matriz _topiadas em trapézios _lembrando a forma de um abajur _anos 50


Nos anos 60, as árvores de fícus, já estavam com quase meio século de vida. Pra quem viveu nessa época é bom lembrá-las, além de suas frondosas sombras. Quando recém podadas, era possível admirar a forma que as copas tomavam, ora cilíndricas, ora retangulares, ora em trapézio, lembrando a forma de um abajur; aproximando mais, podia-se conferir a habilidade de topiaria do jardineiro ouvindo o som do corte de sua tesoura junto à escada, diariamente. Era possível ouvir alguém dizendo: nunca tinha visto nada tão bonito enfeitando as praças. Era mesmo muito bom de olhar, a todo o conjunto harmonioso das árvores de arestas bem aparadas dominando a praça, acompanhadas de ciprestes e palmeiras. Quando seus frutos caíam, aquelas bolinhas amarelas quase secas se espalhavam pelo passeio da praça, e propositadamente, os jovens passantes pisavam sobre elas, como brincadeira de criança, somente para ouvir seus estalos ocos e crocantes, uma sensação lúdica inesquecível. É de todo verdade, que não foram momentos, foram anos de convivência pacífica com os fícus, até que chegaram as ‘lacerdinhas’.




As lacerdinhas [adultos (pretos), ninfas (amareladas) e ovos (brancos)] se alojavam no interior das folhas novas dos fícus




Tamanho das lacerdinhas _poucos milímetros


A praga que veio de longe
Um pequeno inseto, com 2 a 3 milímetros de comprimento, conhecido como tripes G. Figorum desembarcou no Brasil, provavelmente em mudas contaminadas, bem no início dos anos 60. E a partir dessa época, foram se proliferando pelos logradouros públicos da cidade portuária do Rio de Janeiro, onde crescia um grande número de árvores adultas de Fícus microcarpa. Ano a ano, a praga foi se alastrando, por onde encontrava seu hospedeiro preferido, de norte a sul do país.

Nessa época, no Rio de Janeiro, o tripes ganhou o apelido de ‘lacerdinha’, uma sátira ao político Carlos Lacerda que então governava o Estado da Guanabara (1960-65) e o apelido pegou. Pegou tanto que popularmente o Fícus microcarpa é hoje conhecido como: árvore-lacerdinha, fícus-lacerdinha ou figueira-lacerdinha. O apelido também é bastante citado na internet, inclusive em sites estrangeiros e até mesmo em livros científicos como nome popular, tanto para planta como para sua praga, o tripes G. Figorum.
Assim se pode ler sobre a lacerdinha: Nome popular de um tripes fitófago, Gnaykothripos Figorum (Marshal), introduzido no Brasil e que causa deformações, enrolamento e queda das folhas do gênero Fícus pela injeção de toxinas. Nas horas quentes do dias, os adultos mostram muita atividade voando em torno da árvore. Protegem-se no interior das folhas, junto com as formas jovens, por ocasião das chuvas e durante a noite. Bibliografia. Gallo, Et al. Manual de Entomologia Agrícola. São Paulo. Editora Ceres. 1988, 649 p.

Começava então, uma luta biológica entre o gigante fícus e seu inimigo e hospedeiro favorito, o pequeno tripes, ávido pra se proliferar.  Uma vez instaladas, as lacerdinhas foram pouco a pouco formando colônias, infestando as folhas novas dos fícus, que uma vez danificadas, caíam comprometendo progressivamente, a saúde das árvores.




Folhas de F. Microcarpa atacadas por lacerdinhas 


A praga e os guaracienses

No final dos anos 60, quem passou sob as copas dos fícus e foi atingido nos olhos por uma lacerdinha, não se esquece. Ardia como pimenta. E o pedido imediato era uma só voz: tira isso, tira isso! Lá, no cantinho do olho! Uma hora de ardência lavando os olhos em água corrente para aliviar a dor. Muitas vezes picavam também a pele das pessoas. Com isso, o simples transitar pela praça já requeria atenção com as árvores atacadas. As lacerdinhas, quase imperceptíveis de tão pequenas, voavam e plainavam por todos os lados de uma planta, ao sabor do vento. Às vezes, se podia antecipar a fuga do local, observando se havia alguma delas presa à roupa. No auge da infestação, até mesmo percorrer as ruas de bicicleta no entorno da praça, merecia cuidado, porque de repente, elas apareciam como nuvens e podiam colar no olho de alguém que por ali, por acaso, passasse.


Enfim, todas as árvores de fícus foram atacadas perdendo sua cor e brilho. A beleza de suas formas aparadas se transformaram num emaranhado de pontas dispersas. A comunidade, não se conformando mais, começou a pedir que derrubassem as árvores da praça pra se livrarem da praga. Não havia outra solução. E assim foi feito, o prefeito tomou a medida certa, e ordenou que literalmente, o mal fosse cortado pela raiz. Sobrou a saudade das velhas árvores de fícus bem aparadas pelo belo trabalho dos nossos habilidosos jardineiros!

De repente, do meio do povo, saiu um grito preso na garganta:
Morte aos malditos fícus! Viva o machado libertador desta praga!

Referências:

¹ Bosque das figueiras _veja no link abaixo, na Página 10

Veja mais sobre ‘O paisagista do Império’, aqui:

Ficus benjamina: ele é um perigo!


Livro: Figueiras no Brasil - Jorge Pedro Pereira Carauta & B. Ernani Diaz - Editora: UFRJ

Ficus microcarpa foi descrito por Carl Linnaeus, o filho, e publicado em Supplementum Plantarum 442. 1781 [1782]. O epíteto latino _microcarpa _significa ‘com pequenas sementes’.

A espécie Ficus microcarpa, tem sinonímias (outros nomes científicos): Ficus aggregata Vahl., Ficus condaravia Buch.-Ham., Ficus littoralis Blume., Urostigma amblyphyllum Miq., Urostigma microcarpum (L. f.) Miq.., entre outros. Além da sinonímia, há também outras variedades de Fícus microcarpa.


Alguns nomes populares do Fícus microcarpa no mundo: Figueira-lacerdinha, Laurel-da-índia, Laurel-de-indias, Baniano-chino, Yucateco, Baniano-malayo,  Laurel-indio , Higuera-cortina.

O F. microcarpa foi muito utilizado na arborização de ruas, praças e em cercas-vivas de antigos palacetes e prédios públicos na primeira metade do século passado na cidade de São Paulo.

O F. microcarpa também é popular entre os entusiastas de bonsai.

Há muitas espécies do gênero Fícus no mundo, algo em torno de 750. No Brasil, há algumas dezenas de plantas nativas do mesmo gênero, porém são desconhecidas da maioria da população. São cultivadas somente as figueiras de valor econômico da espécie Ficus carica (comestíveis), e entre as ornamentais, as mais comuns são as exóticas (de origem asiática): ficus (Ficus benjamina), figueira-lacerdinha (Ficus microcarpa) e a enorme falsa-seringueira (Ficus elastica). Veja mais:

Hoje se pode ler sobre Fícus Microcarpa: Planta difundida por todo o cinturão tropical da Terra como espécie de arborização pública (Mello Filho et al. 1983). É uma das espécies de figueiras mais cultivadas no Brasil e no mundo (Carauta & Diaz 2002).
Mas, também, pode-se ler: uma espécie popular do passado!; e nas orientações de arborização urbana que se espalha por todo o Brasil: proibido o plantio de todas as espécies de Fícus! (aqui mais por razões da agressividade de suas raízes, principalmente pelas espécies Fícus Benjamina e Fícus Elástica, que destroem pavimentos, alicerces, encanamentos, etc.).

 







quarta-feira, 30 de abril de 2014

Elementos arquitetônicos da Igreja Matriz de Guaraci-SP



Esta postagem pretende mostrar os elementos arquitetônicos que compõem nossa igreja matriz com mais atenção. Nossa matriz é um ícone guaraciense, um marco histórico-cultural de nossa cidade. Ao hábito de olharmos para igreja como um todo, ficamos naturalmente despercebidos dos elementos que caracterizam sua arquitetura.


Vista aérea de nossa Matriz _gentileza de Fotodrones Guaraci


A planta baixa da matriz apresenta a forma de cruz latina. Seu corpo é composto de nave única e o teto do altar concebido em abóbada ogival. As duas sacristias foram anexadas ao corpo do altar pela parte externa. Sua construção foi iniciada em 1953, e levou mais de vinte anos para ser sagrada (1974), ainda inconclusa, a igreja foi totalmente concluída em 1976. 


Planta baixa esquemática sem escala


A obra começou nos fundos da antiga igreja e pela parte mais difícil da planta, erguer a estrutura para dar suporte à cúpula. Enquanto seguiam as obras, as atividades paroquiais continuaram sem interrupção, ora no interior da igreja antiga, enquanto permitia, ora em outras partes adaptadas.


A antiga igreja e a construção da abóbada
 
Matriz em 1976

A singularidade da arquitetura das igrejas do interior
As réplicas de plantas arquitetônicas entre as igrejas são muito raras, pode haver semelhanças entre as construções, porém com diferenças suficientes para que cada uma se apresente como única, de acordo com os elementos que dão forma a seu projeto. O que há de comum são os padrões mínimos a serem seguidos, requeridos pelo Clero. A singularidade de cada construção fica por conta das opções geradas pela arquitetura secular das igrejas, que ao longo do tempo foram deixando suas marcas em cada um dos períodos históricos, criando novos e diferenciados estilos. Uma riqueza arquitetônica conquistada ao longo dos séculos. Com isso, muitos elementos arquitetônicos foram aproveitados e ainda o são, de acordo com as preferências e necessidades de cada local.

Apenas a título de exemplo, observe a diversidade das igrejas, no site da Panoramio nas postagens de Vicente A. Queiroz; nele você poderá ver semelhanças e diferenças arquitetônicas, em mais de 350 imagens de igrejas do Estado de São Paulo. Na página 15, está a igreja de Guaraci-SP.
Confira no link abaixo:

Os principais estilos arquitetônicos de igrejas podem ser descritos, resumidamente na linha do tempo (datas aproximadas), como:
-Inicia com a arte bizantina com o imperador Constantino (reinado do período de 306–337) até o séc. XV;
-Passa pela românica (entre os séc. X e XII, e se estende), período em que há grande expansão do cristianismo;
- Ganha sofisticação com o gótico (entre os anos 1380 e 1500);
- Segue, o renascentista ou clássico (entre os séc. XIV ao XVI); o barroco (entre os anos 1600 e 1750, no Brasil mais tardiamente); o neoclássico (entre os anos 1750 e 1850); o neogótico (entre os anos 1750 e 1900, e se estende), o moderno (séc XX), entre outros estilos.

Principais estilos arquitetônicos das igrejas na linha do tempo


A arquitetura românica
Na era medieval, as igrejas eram construídas de pedra, tanto no período românico como no gótico. O período românico é um marco de uma grande expansão do cristianismo, quando as igrejas começam a ser introduzidas nas pequenas cidades do interior dos países europeus. Muitas igrejas deste período, como esta, ainda estão abertas a visitação.



 
          Igreja românica de Nossa Senhora de Azinheira, Outeiro Seco, Portugal.


Neste exemplo de igreja do século XV, de arquitetura românica, aparece um arco de volta perfeita na entrada da igreja, um arco clássico. Note também, que o portal está ornamentado com três arquivoltas. Detalhe esse, inspirado na arquitetura gótica, que colabora com a valorização arquitetônica dessa igreja de linhas simples.

Arquitetura gótica aplicadas às catedrais
 
Catedral de Colônia na Alemanha

Note neste recorte da fachada da Catedral de Colônia, o grau de sofisticação e detalhamento que chegou o estilo gótico. Localizada na cidade alemã de Colônia, a catedral representa o marco principal da cidade. A construção desta igreja começou em 1248.  Algumas catedrais importantes do período gótico e a data do início das construções: Catedral de Chartres em Chartres (1145), França; Catedral de Notre-Dame (1345) em Paris, França; Catedral de Milão (1386) em Milão, Itália; Catedral de São Vito (1344) em Praga, República Tcheca; entre muitas outras. Vale dizer que o estilo gótico original serviu às catedrais.



Características gerais da arquitetura gótica:
Fonte: Wikipédia
- Verticalismo dos edifícios substitui o horizontalismo do Românico; 
- Paredes mais leves e finas;
- Contrafortes em menor número;
- Janelas predominantes;
- Torres ornadas por rosáceas;
- Utilização do arco ogival;
- Consolidação dos arcos feita por abóbadas de arcos cruzados ou de ogivas;
- Nas torres (principalmente nas torres sineiras) os telhados são em forma de pirâmide.










Catedral de Notre-Dame, Paris, onde se pode ver os arcobotantes, os contra-fortes, os pináculos e os arcos ogivais



Veja mais sobre arquitetura gótica aqui:

Arquitetura noegótica
A arquitetura e a escultura românticas se caracterizaram por sua linguagem nostálgica e pelo resgate do estilo gótico. O Neogótico ou revivalismo gótico é um estilo de arquitetura revivalista originado em meados do século XVIII na Inglaterra. No século XIX, estilos neogóticos progressivamente mais sérios e instruídos procuraram reavivar as formas góticas medievais, em contraste com os estilos clássicos dominantes na época. O movimento de revivalismo gótico teve uma influência significativa na Europa e nas Américas, e talvez tenha sido construída mais arquitetura gótica revivalista nos séculos XIX e XX do que durante o movimento gótico original.
Veja mais aqui:
Arquitetura neogótica no Brasil









Catedral da Sé – São Paulo
Edificações góticas autênticas não existem no Brasil, mas o revivalismo neogótico popularizou-se a partir do reinado de Pedro II. Algumas igrejas neogóticas brasileiras: Catedral de Petrópolis (1884-1925), no Rio de Janeiro; Igreja do Santuário do Caraça, em Minas Gerais (1860-1885); Catedral da Sé de São Paulo (1913-1954); Catedral de Santos (1909-1967); Catedral Metropolitana de Vitória (1910)-(1970); Catedral de Belo Horizonte (começada em 1913) e a Catedral Metropolitana de Fortaleza (1938-1978).

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No Brasil, segundo WJ Manso de Almeida, em Capelas e pequenas Igrejas: “ao longo do século XIX e princípios do século XX, a arquitetura de capelas e igrejas interioranas foi incorporando, segundo ritmo e grau variados, as idéias que então iam surgindo nos centros maiores; o neoclássico, o neogótico, o estilo ‘art déco francês’... / E a partir da segunda metade do século XX tais construções passaram a exibir decisivas modificações simplificadoras quanto à estrutura, volumes e elementos de decoração, decorrentes das novas orientações adotadas pelo Clero católico. As igrejas das cidades do interior retratam toda essa evolução e mostram que a simplicidade, a harmonia e a manutenção de traços de origem muito antiga constituem verdadeiras características da arquitetura sacra brasileira”.
Veja mais aqui:

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Elementos arquitetônicos da Igreja Matriz de Guaraci

Sabe-se que é um sistema de símbolos que veste a arquitetura das igrejas e as configuram. Como arte, vale aqui destacar do conjunto arquitetônico de nossa matriz, alguns elementos da arquitetura gótica/neogótica e a maneira como foram empregados. Alguns elementos destas artes foram difundidos pelas novas possibilidades criadas com o advento do aço e do concreto armado nas construções.

Elementos da arquitetura gótica, revividos na neogótica, presentes em nossa matriz:

1. A abóbada em formato de ogiva;
2. Os arcos ogivais, tanto como moldura dos vitrais externos como internamente entre as colunas dispostas na nave; nos arcos que sustentam a abóbada ogival e os três arcos do ‘nártex’ externo da fachada; 
3. As rosáceas ou vitrais circulares dispostas sobre todo o corpo superior da nave, e a que complementa a fachada, o óculo;
4. Os pináculos dispostos na extremidade superior dos cantos externos das paredes e no cume da torre, empregados como ornamentos.
5. As bandas ornamentais em relevo, vindas dos entre arcos lombardos.

                                                 A abóbada de ogiva
A abóbada de nossa igreja é gótica porque apresenta o perfil de uma ogiva



Abóbada em ogiva

Os arcos ogivais

Os arcos ogivais são elementos de referência na arquitetura gótica das igrejas.
 


Arcos ogivais nas molduras das janelas

Vista interna da igreja com arcos ogivais entre colunas na lateral da nave, na base da abóbada e no altar

Arcos em ogiva presentes na fachada


Os pináculos

Os pináculos empregados em nossa igreja têm seu corpo em forma piramidal com uma esfera encerrando seu pico e um triângulo equilátero em sua base. Eles rematam todos os cantos das paredes externas. Os pináculos são muito difundidos como ornamentos e são considerados elementos da arte gótica, que valorizam a verticalidade.
 
Pináculos rematam os cantos das paredes


Rosáceas ou vitrais circulares 

Os vitrais tipo rosácea são elementos arquitetônicos ornamentais usados nas igrejas, notadamente nas góticas e neogóticas. Na fachada, um óculo em forma de rosácea também representa um elemento da arte gótica.



 Rosácea da fachada (Óculo)





Rosáceas em toda a extensão da parte superior da nave




                                               Bandas decorativas


As faixas em relevo verticais em forma de arcos ou bandas ornamentam as paredes externas das igrejas católicas imitando o entre arcos lombardos ou as ‘lesenas’, desde o período românico. São muito utilizadas para realçar formas sob o beiral do telhado. No caso da nossa matriz, a ornamentação reforça a imagem da forma de um frontão, avivando o triângulo interrompido. Recurso decorativo usado também no estilo gótico.



Exemplo de bandas lombardas
 
Nártex da fachada

Fachada

O nártex exterior ou “alpendre”, à frente da fachada, é sustentado por colunas retangulares, seguindo a mesma forma das colunas da nave. Os arcos ogivais entre as colunas e seus capitéis retangulares integram o equilíbrio das formas presentes. Um frontão triangular interrompido ladeado por dois pináculos, e acompanhado por bandas lombardas em relevo, completam a frente do nártex. A parede da nave que sustenta a torre mostra o óculo em rosácea. Há ainda nesta parede a intenção de se desenhar dois novos frontões triangulares descontinuados, desta vez acompanhando a forma das empenas interrompidas do telhado, ideia esta, reforçada pelas bandas lombardas.
 
                                               Fachada da Matriz


A torre sineira quadrangular apresenta três pares de vitrais alongados, terminados em arcos ogivais e simetricamente distribuídos. A verticalidade da torre é interceptada por duas lajes que a divide, para centralizar o relógio na parede. Estas lajes aparecem cercadas por pequenos pináculos em todos os seus cantos. A torre termina com uma cobertura em forma pirâmide, e triângulos baixos valorizando sua base. E por fim, uma grande cruz, hoje iluminada em neon, completa a fachada de nossa querida Matriz.