sábado, 27 de março de 2010

Algumas peças do artesão guaraciense, Aparecido Francisco de Assis Caldeira, o Boi

O Boi, Aparecido Francisco de Assis Caldeira, é guaraciense e trabalha com artesanato há quase 30 anos. Começou desde cedo a desenvolver seu dom e a tomar gosto pela arte de manipular os elementos da natureza. Suas peças são únicas e de expressão própria. Como matéria-prima, recolhe de árvores caídas em nossa mata nativa, cipós e raízes, e complementa com outros materiais, como cordas e cerâmica, para transformá-los em objetos de artesanato da natureza seca. Explora também as formas arredondadas de frutos secos como o coco e a cabaça. Algumas de suas peças já foram expostas nos eventos de arte de nossa praça, o Guarart, e foram bastante apreciados. Sua criatividade se materializa em objetos de decoração, expressos em figuras da natureza. Seu universo é invadido por animais, como aves (uma preferência), focas, peixes e outros, que são trabalhados com diferentes técnicas, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento final. O artesão Boi pretende ainda desenvolver trabalhos utilizando bambu como matéria-prima.

Veja algumas de suas peças:



Ninho de papagaio - em madeira:








Pato - em cabaça (fruto seco de uma cucurbitácea amarga):








Coruja - em coco:








Foca - em madeira e corda:









Siriema - em cabaça:








Cabeça de peixe - em coco:






O blog Guaraci Divisa com Minas agradece a participação do artesão Aparecido Francisco de Assis Caldeira, desejando-lhe sucesso, e que continue produzindo seu excelente trabalho.



EM TEMPO:
DIA DO ARTESÃO
Dizeres do Cartaz da WR (Feliz dia do artesão – 19 de Março):
“Fazer arte é transformar, com liberdade e criatividade, a mais dura matéria na mais singela obra-prima!” da WR São Paulo Feiras e Congressos (Produtora de eventos)





Há muitos artesões em Guaraci, e muitas vezes anônimos, e quero aproveitar para deixar aqui, embora atrasado, os Parabéns pelo seu dia, e que continuem em frente. E um pedido para os nossos artesões adultos: que estimulem nossas crianças com habilidades naturais, a aproveitarem suas vocações, ensinando-lhes a fazer o artesanato que cada um desenvolve, porque assim, estarão colaborando, e muito, para a preservação de nossa cultura.

terça-feira, 23 de março de 2010

Trechos de uma prosa lírica - Moldura de lembranças












Era uma tarde de um dia calmo de setembro quando atravessei o portão da casa onde ela cresceu. Há mais de 25 anos não passava por ali.

O vento que sopra sem parar carrega as lembranças para o mar do esquecimento. E elas dormem, e como dormem!

Logo que a porta da sala se abriu, fiquei surpreso, como se estivesse de frente para um tempo acabado - mas vivo.

As lembranças, saindo da acomodação do silêncio, procuram luzes na sombra do tempo. Ali naquela sala, elas se guardavam, sutilmente emolduradas e sonolentas.
E eu já podia senti-las, entre a luz e a escuridão.


Rapidamente meus olhos percorreram todo o ambiente. Num segundo, eles reviram tudo: os quatro cantos da sala, o piso, o teto, a luz filtrada pela janela entreaberta, o esvoaçar da cortina... Cada lembrança arremetia à outra. De cada pedaço de saudade, afloravam antigas emoções: alegrias, tristezas incertas, pesares, carinhos e sonhos... Passado e presente num só tempo, tudo tão longe e tão perto.

Incontrolável memória! Basta desatar um nó e pronto: um enxame de recortes do passado cai sem parar...

Imóvel diante de tudo - me senti suspenso na linha tempo. E só coloquei os pés no chão, quando meus olhos pousaram sobre o velho quadro na parede. A tela da queimada. Não era apenas uma arte, mas o lugar comum, de um amor sonhado.




O amor em traços de queimada! Frágil destino. O amarelo fogo consumindo tudo eram estacas em cinzas, fincadas na memória. Ao mergulhar no passado, tudo estava lá, imaculadamente guardado em incríveis semelhanças.

Ela havia sido: venus, rock’in’roll, amor e paixão.
Por um instante, parecia vê-la, na doçura de seu olhar, se desfazendo em sorrisos.



É verdade que as chamas da tela não se apagam, mas os sonhos, ali depositados, se desfizeram em brancas nuvens de fumaça, levadas ao arrepio do vento, para o fundo da escuridão.

De volta ao portão, respirei o azul e o amarelo fogo da tela, e desses ares não restou nenhum instante de dor.

O tempo é curativo! Ele amolece todas as coisas para que possam ser compreendidas no futuro, sem hesitação. O que restou guardado pela hora do destino, foi o sonho abraçado ao perdão.

Certamente, no coração desta tarde, meus olhos acreditaram-se videntes...

Mal se pode agarrar o passado que pousa sobre um instante, que ele logo anuncia - que por ali - apenas passa...

O sonho, as lembranças, o amor, foram chamas que o tempo apagou.
E o vento continua soprando sem parar...



Prosa lírica ficcional - Oscar Mauad – Moldura de lembranças

Este é meu primeiro ‘post’ sobre minhas poesias. Minha intenção foi de criar um texto em prosa lírica curta, fictícia, e composta por uma interposição da narrativa (em negrito) com o eu-lírico (em itálico). Como recurso ficcional de criação lírica, usei de toda liberdade para que o eu-lírico pudesse, cogitar, explicar, responder, completar sentidos - alçando vôos - até mesmo os mais exacerbados.

Por dentro do Relógio da Matriz

O grande relógio quadrado da igreja matriz, antes do eletrônico, media 1,50 m de lado, era o tipo de coisa que nos habituamos a ver e ouvir, e muitas vezes, não sabíamos como funcionava. Para que você possa ver de perto esses mecanismos, estou postando um ‘clip’ de 40 segundos, onde o Sr. Claudio Geraldelli dá corda nesse relógio.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Entrevista com a pintora Gessy Barbosa Lessi

A guaraciense de coração Gessy Barbosa Lessi, casada com o Dr. Erasmo Lessi, pinta telas como hobby há bastante tempo. Sua pintura é positiva e calma, um trabalho realizado com prazer e muita dedicação. Seu olhar, esteticamente hábil, procura por temas que refletem aquilo que é belo na natureza. Suas telas se materializam guiadas pela sensibilidade de seu olhar, e por sua mão, que reproduz nos toques sutis de suas pinceladas, todo o detalhamento que escolhe para enriquecer as nuances de suas telas. Sua percepção de luminosidade se completa na profusão de cores que ela vai definindo passo a passo, em sua incansável busca pela melhor imagem.

Algumas telas da Gessy:















Entrevista com Gessy:

P1 – Gessy há quanto tempo você e o Dr. Erasmo estão casados?
R - Há 50 anos.

P – 50 anos de casamento! Parabéns! Quais são as grandes inspirações na vida?
R – A Samantha, a Amábile e o Erasmo.

P – Você pode citar um livro, uma flor, e um perfume, entre aqueles que você mais gosta?
R - Livro: alguns do Paulo Coelho. Flor: Rosas. Perfume: Taty.

P – Você pode citar um filme, uma música e um programa de TV, entre aqueles que você mais gosta?
R - Filme: Ghost. Música: Pra não dizer que não falei das flores. Programa de TV: Alguns programas da rede Globo e da rede Brasil.

P – Quando criança você fazia bons desenhos no papel?
R - Sim, eu já gostava de desenhar.

P – O que vale mais para ser uma boa pintora, a habilidade individual ou a dedicação?
R - A dedicação.

P – Quando foi que começou a pintar?
R – Comecei em 1990.

P - Você costuma pintar coisas belas e românticas. Você acredita que essas suas escolhas vem de algo que está dentro de você?
R - Sim.

P - Você que prefere pintar paisagens, também gosta de retratar a expressão do rosto humano?
R – Já pintei, mas não gosto muito.

P - Você desenha na tela antes de aplicar tinta?
R - Sim, desenho.

P - Quantos retoques nos desenhos preliminares são necessários para você se convencer que está bom?
R - A quantidade de retoques depende do desenho.

P - Quanto tempo você leva para terminar uma pintura?
R – O tempo para terminar uma tela depende muito daquilo que estou pintando. Depende dos detalhes que a pintura pede. Quanto mais detalhes, mais tempo demora.

P – O que você sente ao ver uma tela terminada?
R – Satisfação.

P - Dentre seus muitos trabalhos, qual você gosta mais?
R – Gosto de todos.

P - Você já participou de alguma exposição?
R – Sim, de duas.

P - Quer deixar algum recado aos leitores deste blog?
R – Eu me sinto grata por participar desta entrevista. Obrigada.



O blog ‘Guaraci Divisa com Minas’ agradece a pintora Gessy Barbosa Lessi pelo tempo dedicado a esta entrevista. Que você tenha muito sucesso e paz!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Entrevista com o pintor guaraciense Uiliam José da Silva



Uiliam José da Silva é guaraciense, pintor e professor de artes, formado em Licenciatura Plena, em Educação Artística, pela Universidade de Franca. Uiliam é autor do projeto que vem caracterizando os prédios públicos de Guaraci com as referências estilizadas das composições de Mondrian.



P – Uiliam, você pinta desde a infância?
R - Desde criança tenho contato com desenho e pintura. Sempre gostei de me expressar através de desenhos.

P - Qual foi a primeira pessoa que acreditou no seu talento?
R - Minha inesquecível professora, Terezinha Correa da Silva (Tê), que muito me apoiou e me incentivou, em todas as horas, desde os meus 10 anos de idade.

P - O local onde nascemos influencia nossas vidas, Guaraci tem alguma influência sobre seu trabalho?
R -Sim e muito. Como disse Willian Shakespeare: “Depois de algum tempo você aprende a construir todas as estradas no hoje, porque o terreno amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...”

P - Foi sua opção cursar uma faculdade ligada às artes, ou você chegou a pensar em outras possibilidades?
R - Não tive opção e nem pensei em cursar outra coisa, simplesmente eu segui os conselhos da Tê, ela vivia dizendo que eu iria me tornar artista e tinha que fazer uma faculdade de artes.

P - De alguma forma e dentro do histórico de suas pinturas, você considera que sofreu influência de algum artista de renome?
R - Sim, de vários artistas, pois todos os artistas expressam a verdadeira natureza humana, o que muda, são suas técnicas. Admiro muito Da Vinci e Rafael na renascença; Miró e Dalí no surrealismo; Aleijadinho e Caravaggio no barroco e rococó; Mondrian e Kandinsky no abstracionismo; Portinari e Tarsila e Di Cavalcanti no modernismo; e na contemporaneidade, Beatriz Milhazes, Hélio Oiticica, Ligia Pape, Arnaldo Antunes e por ai vai.

P - Dentro de sua formação, você pode relacionar alguns nomes de pintores famosos que você mais gosta?
R - Piet Mondrian, Van Gogh, mestre Lisboa e Sebastião Salgado.

P - Dentre eles tem alguma tela, afresco, cartaz, ou escultura que você gosta mais?
R - Têm vários, mas a obra que mais me chama atenção são os doze profetas esculpidos em pedra sabão por Antonio Francisco Lisboa, o aleijadinho.

P - Falando sobre seus quadros, como decide sobre os títulos?
R - Depende do contexto em que se encontra.

P - Já lhe ocorreu de pintar um quadro e não gostar do que viu?
R - Várias vezes. E fico feliz por isso, porque a criatividade e a “Gestalt” melhoram cada vez mais.

P - Quais as telas, dentre as muitas que você pintou que gosta mais?
R – Gosto de alguns retratos que fiz em óleo sobre tela. São telas que retratam pessoas que tive a oportunidade de conhecer e de registrar a expressão de suas personalidades. Gosto também do resultado da técnica que empreguei nessas telas, são pinturas próximas do hiperrealismo. Selecionei algumas fotos dessas telas: Julia, Vinícius, Catimbau o Escravo da Alegria e Walter Bortolato.

Julia:



Vinícius:



Catimbau o Escravo da Alegria:



Walter Bertolato:



P - Qual a sensação que você tem ao ver uma tela terminada?
R – Dá uma sensação de liberdade interior.

P - Qual a temática que você mais gosta de pintar?
R - Não me resolvi sobre isso ainda, mas por enquanto, estou experimentando uma série de gravuras em metal.

P - No desenvolvimento dos seus projetos de pintura você segue alguma metodologia, ou chegou a um processo próprio?
R - Na maioria das vezes procuro me expressar livre e intimamente, mas quando recebo encomendas tenho que adequar as técnicas, àquilo que me foi pedido.

P– Você pinta telas abstratas?
R - Sim.

P - Numa tela abstrata, no momento da construção de sentidos, quando chega mais a você, coisas intuitivas, como as formas, a cor, o movimento... Neste sentido, o que vem primeiro e o que é mais forte pra você?
R - Primeiro vem a inspiração, e através dela eu construo coisas em minha mente para projetar na tela, de uma maneira que o observador possa trabalhar sua percepção visual, a fim de construir com seu olhar, um significado sobre ela.

P - Apesar do curso de licenciatura ser dirigido para ensino, você chegou a receber incentivo e viu oportunidades, durante o curso, para participar de exposições?
R - Muitas e muitas vezes. Tive apoio de gente que considero muito importantes em minha vida e o resultado me deixou feliz e satisfeito.

P - Você chegou a fazer alguma escultura?
R - Sim, mas só depois que comecei a frequentar a faculdade de artes.

P - Sabe-se que há muitos pintores, que dizem que não conseguem viver sem pintar, é assim com você?
R - Não. Sou muito feliz nesse ponto. Consigo fazer contato facilmente com pessoas de várias cidades e vender meu trabalho, e graças a essas pessoas consegui concluir um curso superior de artes.

P - Você já experimentou trabalhar com outras técnicas, assim como outros materiais e tendências, onde você está nesse momento?
R - Já explorei várias técnicas. No momento estou trabalhando a técnica de gravura e também da têmpera do ovo.

P - Passando pela decoração de ambientes, hoje, as estatuetas representando mulheres "Africanas" têm uma boa vendagem, o que é modismo. Usando esse fato como exemplo, você pinta telas comerciais?
R - Sim, mas não gosto muito. Eu quero sobreviver pra alcançar meu objetivo.

P - Já participou de alguma exposição?
R - Sim, posso relacioná-las:
2001 - Exposição Coletiva no 1º Guarart e Cia - Guaraci-SP.
2003 - Exposição Coletiva no 2º Guarart e Cia - Guaraci-SP.
2006 - Exposição Individual na Agência do Banco Santander - Guaraci - SP.
2006 -Exposição Individual no Plenário da Câmara Municipal de Guaraci - SP (Acervo).
2006 - Venda de telas para o acervo particular de Jean Claude Hellain Religieux - França.
2007 - Exposição Individual na Pizzaria Palestra Itália - Guaraci - SP.
2007 - XXIII Salão de Abril de Belas Artes - Franca - SP.
2007 - Semana Cultural José Antonio da Silva - Sales Oliveira - SP.
2007 - XVI SABBART (Salão Brasileiro de Belas Artes) - Ribeirão Preto - SP.
2008 - XXIV Salão de Abril de Belas Artes - Franca - SP.
2008 - Semana Cultural José Antonio da Silva – Sales Oliveira - SP.
2008 - XXIII Salão de Artes Plásticas de Arceburgo - MG.
2008 - XXXII Semana de Portinari - Casa e Museu de Portinari - Brodoswki - SP.
2008 - Salão de Artes Plásticas do 44º Festival Nacional de Folclore em Olímpia - SP.
2008 - Exposição Metamorfose Digital 2: “Caras e Bocas”, Unifran, Franca - SP.
2008 - ll FECIART - Feira de Ciência, Arte e Tecnologia, Colégio Chamnpagnat, Franca - SP.
2009 - XXV Salão de Abril de Belas Artes - Franca - SP.
2009 - Exposição Coletiva de Gravura, Unifran, Franca - SP.
2009 - lll FECIART - Feira de Ciência, Arte e Tecnologia, Colégio Champagnat, Franca - SP.

P - Embora não pareça, a execução de seu trabalho de TCC, na cidade, está levando arte para nosso cidadão comum. Ainda que ele não perceba, há arte presente em seu cotidiano, mas, falta a valorização da arte para que ele possa mudar seu olhar para o estético. Você acredita que esse papel cabe às escolas, ou se inicia através da escola?
R - É um ciclo, e tudo se baseia nos pilares da educação (sociedade, família, escola).

P – Sabe-se que o mercado de artes no Brasil é devagar. E isso cria uma dificuldade para que os artistas possam participar de exposições, como você vê este entrave?
R - Se a montanha não vem até os artistas, os artistas é que devem ir até ela.

P - Você pensa em se apropriar de novas linguagens, como a digital?
R - Sim, mas depende do contexto.

P - O que você diria para um de nossos alunos que deseja desenvolver a arte da pintura, o que é fundamental e por onde deve começar?
R - Todas as pessoas que sentem vontade de adentrarem no mundo da arte querem aprender primeiro a desenhar e pintar, além de vários estereótipos já existentes, porém devem ter em mente que o mais importante é trabalhar a observação. O conselho que dou, é para aprenderem desde cedo a praticar mais um olhar crítico e criativo através da observação.

P - Qual a temática você está explorando atualmente?
R - Estou começando uma série de nus.

P - Você sempre tem telas à venda?
R - Sim, sempre tenho. Vendo o que as pessoas gostam, mas procuro tocá-las com idéias. Sei que elas preferem de comprar imagens e não idéias...

P - Você recebe encomendas? Caso afirmativo, cite algumas delas.
R - Sim. Fiz três telas que gosto muito e que me foram encomendadas pelo empresário Jean Claude Helain Religieux quando eu era manobrista e mensageiro do Hotel Globo Rio em São José do Rio Preto. Jean Claude viu meus trabalhos através de fotos e me desafiou a pintar uma usina sua demolida nas proximidades de paris. Pintei primeiro a usina, ele gostou e encomendou que eu pintasse a igreja onde ele foi coroinha e onde estão enterrados seus familiares. Essa igreja foi construída no século XII e está ativa até hoje na França. Logo em seguida recebi uma encomenda de seu irmão, e pintei a foto de seus sobrinhos. Os nomes dos quadros são: Usina de Mazi, Eglise de Vignoux e Retrato da Família Religieux.

Usina de Mazi:




Eglise de Vignoux:




Retrato da Família Religieux:



P - Como alguém que queira conhecer seu trabalho de arte, deve proceder?
R - Através de contato pessoal. Fone: (16) 9109-9182.

P- Quer deixar algum recado aos leitores deste blog?
R - Sim. A educação é o primeiro e mais importante pressuposto para o exercício da cidadania, mas a arte em especial eleva a educação.


O blog ‘Guaraci Divisa com Minas’ agradece ao Uiliam pelo tempo dedicado a esta entrevista. Que você tenha muito sucesso!

terça-feira, 9 de março de 2010

O equilíbrio de cores e formas de Mondrian

Ao ler um livro sobre arte, nos anos 80 - Criatividade e Processos de Criação, de autoria da brasileira Fayga Ostrower, me lembro bem que aprendi algo interessante sobre as composições de Mondrian. Um exercício de classe, em que a autora, professora carioca de arte, trabalha o posicionamento visual de um dos quatro lados de uma tela de Mondrian (perdi esse livro, devo ter emprestado a alguém que se esqueceu de me devolver). As construções de Mondrian terminam mostrando um equilíbrio perfeito entre as formas e cores dentro da tela. E como essas telas não apresentam nenhuma figura ou linha aparente de horizonte, supostamente assim, um quadro poderia ser fixado na parede, por qualquer um de seus quatro lados. Entretanto, olhando para as linhas pretas horizontais e verticais que contornam os blocos de cores brancas e primárias, embora não pareça, é possível definir, correta e intuitivamente, a posição em que a tela foi pintada. Esse exercício de cálculo do olhar instintivo, sobre a disposição estética de uma tela, eu mostro aqui, com imagens que trabalhei, afim de que você também possa vivenciar essa experiência, olhando com atenção para o balanço das cores e das formas dentro do espaço da tela. Para ilustrar melhor esse olhar intuitivo, escolhi uma tela de formato quadrado.
Veja o exemplo abaixo:



As telas de fundo branco com grade em preto, (retirei as cores) parecem, à primeira vista, que se acomodam bem, em qualquer uma das quatro posições do quadro. Mas, olhando com mais atenção, as posições 3 e 4 são mais aceitáveis pelo olhar intuitivo. A linha horizontal, nestas duas posições, forma na base do quadro, blocos que nos deixa perceber algo parecido com um horizonte. Há um relativo ‘peso’ na base, que o olho aceita como mais harmonioso. As posições 1 e 2, ao contrário, estão em forma de ‘L’, que parecem invertidos, considerando que ficaram sem o sentido de base. O quadrado maior voltado para baixo fica sem nenhum elemento para sustentá-lo.

Quando olhamos para o quadro com suas cores, ele parece nos convidar intuitivamente, a procurarmos pela melhor posição, para fixá-lo na parede.



Posição 1. O quadro parece invertido e mais ‘pesado’ do lado esquerdo.



Posição 2. O quadro parece invertido e mais ‘pesado’ do lado direito.



Posição 3. Parece melhor, mas ainda sem o devido balanço na base. Os blocos, amarelo e azul, não se equilibram com o grande bloco vermelho, à esquerda. O bloco vermelho parece sem sustentação no lado inferior esquerdo da tela. O bloco azul da base, em diagonal com o vermelho, dá suporte aos blocos da coluna vertical onde está o amarelo. O bloco azul em relação ao bloco vermelho dá mais impressão de giro do que de suporte.



Assim, o quadro parece perfeito. A base formada pelos blocos azul e amarelo, nesta posição, é mais solidamente visível, nesta posição do quadro. E esta base dá suporte ao ‘peso’ do bloco vermelho.


Veja agora os quatros lados juntos:


Se você observou bem, a posição 4, é a posição que se acomoda melhor ao olhar intuitivo, e é esta a posição em que a tela foi pintada.


Veja agora a tela sem a grade de linhas pretas:


Retirando a força das linhas pretas que conduzia o olhar, horizontal e verticalmente, os blocos parecem perder o ‘peso’ da base. Assim, as quatro posições parecem aceitáveis, embora a posição 2 se apresente mais harmoniosa, porque, nesta posição, o bloco amarelo está na horizontal e na base. Na posição 4, o pequeno bloco amarelo, não encostando no bloco vermelho, deixa o conjunto desarmônico, porque não sustenta o ‘peso’ do bloco vermelho que pede para se juntar ao amarelo.

Vejamos agora a tela com o bloco amarelo alongado:


Alongando artificialmente o bloco amarelo até que encostá-lo no vermelho, todas as quatro posições parecem bem. Note também que a ausência da grade deixa a composição empobrecida.


“O olho é a janela do corpo humano pela qual ele abre os caminhos e se deleita com a beleza do mundo”.
Leonardo Da Vinci (1452-1519)

quarta-feira, 3 de março de 2010

A arte de Mondrian nas ruas de Guaraci




Ainda em 2009, a atual administração, apoiada por nossa primeira dama, Andrea Gonçalves de Souza, começou a executar um belo trabalho desenvolvido pelo pintor guaraciense Uiliam José da Silva, sobre a aplicação de pinturas estilizadas de Mondrian, nos espaços públicos de Guaraci. Hoje, já estão assim caracterizados, o Espaço Livre, o Estádio Municipal, o Posto de Informações Turísticas e objetos menores como camisetas escolares, e outros.


Parede da entrada do Espaço Livre:


Posto de Informações Turísticas:


Estádio Municipal:





Esta caracterização vai paulatinamente associar o nome de Guaraci às composições de Mondrian. A introdução de referências artísticas em nossos prédios públicos, não só surpreende e desperta a curiosidade de quem passa, como também, seguirá fortalecendo a identidade visual da cidade. Uma associação positiva que deve se cristalizar com o tempo, não só para cumprir um papel cultural, mas também para agradar aos olhos de nossos cidadãos e dos turistas que nos visitam. Um símbolo a mais de beleza para se juntar ao nome de Guaraci. Parabéns Uiliam! Parabéns Andrea!
Parabéns às professoras das escolas municipais que colaboraram democraticamente na construção das releituras de Mondrian para revestir as paredes de nossos prédios públicos.



Quem foi Mondrian?
Piet Mondrian (1872-1944) foi um pintor holandês do século XX, que fez parte do movimento da Arte Moderna!

Mas não é só - quero te convidar a ir um pouco mais à frente, a dar mais um passo, para que esse assunto possa ser mais informativo. Para tanto, tento aqui fazer uma rápida síntese sobre a arte de Mondrian, e sobre o contexto em que ele viveu.




Lembrando dos livros que li sobre arte moderna e abstracionismo, dos grandes nomes da pintura abstrata como Kandinsky, Malevich, Paul Klee, Miró, Mondrian e outros, tenho que olhar para trás com curiosidade, porque isso me traz de volta ao final dos anos de 80, quando passei a me interessar por ‘design’, por arte moderna, movido pela vontade de procurar entender mais os sentidos da arte abstrata. A Arte Moderna é assunto de enorme riqueza e complexidade, por isso, não se pode compreendê-la, nem dar algum sentido às revoluções estéticas do modernismo, sem que se conheça sua história. História que começa com a virada do século XX, na Europa de então, quando o mundo passava por grandes mudanças, tanto tecnológicas (dentre elas a invenção da fotografia), como sociais. A vida estava conturbada, os homens encharcados de muitas idéias, em todas as direções, procurando novas soluções para uma nova sociedade. Os jovens pintores europeus dessa época buscavam um meio de expressão mais poderoso, queriam se livrar do passado, mudar o olhar do mundo, reinventar a arte. E esta busca por novas imagens, ganhou raízes e se alastrou, dando origem a muitos movimentos de arte inovadores. Junto a esses movimentos, crescia uma forte tendência que privilegiava mais a projeção dos sentimentos subjetivos sobre as telas, do que simplesmente pintar e repintar reproduzindo a realidade, como fazia a recém chegada arte da fotografia. Era a vez do artista, representar na tela, como via as coisas a partir de seu interior. Historicamente, os sinais dessa mudança aparecem a partir de 1905, quando são expostas obras que começam a desfocar a aparência natural das coisas, ou obras cujos temas principais não são objetivamente reconhecíveis. São os primeiros indícios de mudança na arte da representação, decorrentes de telas de artistas renomados, como Picasso, Braque, Matisse, entre outros. Já em 1910, o pintor russo Kandinsky, respeitado no mundo das artes, inaugura o ciclo abstracionista, expondo uma tela (primeira aquarela abstrata), sem nenhuma figuração ou representação do mundo, um abstrato puro. São formas e cores soltas no espaço da tela, porém com uma harmonia muito convincente, capaz de mostrar a cara da nova estética. A partir dos anos de 20, década berço da arte moderna, despertam os pintores europeus chamados vanguardistas, apresentando obras abstratas reconhecidas, nesse novo caminho das artes. Os vanguardistas se multiplicam, rompendo definitivamente com as tradições. A arte abstrata revoluciona, evolui e chega até o limite da ‘não arte’, ou das polêmicas narrativas que muitas vezes, encontrava simbolismo onde havia somente dúvidas. Abriu-se então, um leque de opiniões, boas e más, sobre o abstracionismo. Ora, perguntavam, as pessoas da época, isso é arte? Ora, qualquer pessoa pode pintar um quadro como esse! Onde estão as figuras, onde está o horizonte, o que significa isso? Bem na verdade, até hoje, uma tela abstrata pode provocar indignação ou estranhamento, a muitas pessoas não ligadas à arte. Lembro-me agora, que no ano passado (2009), a novela ‘Caras e Bocas’ da TV Globo, trazia uma sátira ao abstracionismo, tendo como base o exagero, onde as telas abstratas de um primata se sobressaíam às de um ser humano. De volta à história e à época, entre tantas novidades e polêmicas, surgia de uma das vertentes do modernismo, a tendência para valorizar a criatividade racional. Deste período, lembro-me da história da escola alemã de Bauhaus, da escola russa de Ulm, e da revista holandesa De Stijl (O Estilo). E foi a partir da revista “De Stijl”, que se originou um movimento chamado neoplasticismo, que explica toda a luta de Mondrian, um dos fundadores desse movimento. Trata-se de um abstrato geométrico, de telas que se esquivam de todo modo, a expressar emoções ou idéias, procurando anular a subjetividade. Mondrian não aceitava sombras, curvas, nada que pudesse fugir de sua intenção absoluta de expor sua arte, levada ao mínimo simbolismo, ou ao extremo rigor de linhas verticais e horizontais, e de cores primárias saturadas. Ele buscava algo mais profundo em seu cuidadoso equilíbrio de formas e cores. Ele reduziu, numa rigidez obsessiva, a expressão plástica a funções matemáticas. Mas Piet Mondrian não é só importante por suas experiências, deixando de lado o conteúdo filosófico e religioso que envolve sua vida, sua obra é essencial para a arte ou para a representação visual. Ele trabalhou quase trinta anos (1913-1942) explorando sua idéia principal, que ele mesmo chamou de “Composições”, e terminou sua vida com mais de 250 obras (1917 a 1944). Na grande maioria, suas obras são abstratas e fiéis ao seu propósito. Nesta fase das composições, suas telas são austeramente simples, limpas, compostas de retângulos assimétricos de cores primárias sobre um fundo branco, separados por linhas pretas que se cruzam em ângulos retos. Ou melhor, ele reduziu suas telas a blocos geométricos, cada um deles preenchidos com uma única cor compacta (sem lançar mão de qualquer escala cromática, ou de sombras).

Algumas pinturas de Mondrian:







Em minha opinião, e sou apenas um admirador, o resultado de suas telas é que são, antes de tudo, universais, intemporais, ordenadamente belas, fáceis de gostar e fáceis de identificar. Elas são incrivelmente marcantes, porque únicas. Apesar da rigidez de seus traços retos, podemos ver alegria em suas composições, porque resta o jogo das cores primárias, dispostas harmoniosamente no espaço de uma tela. O trabalho de Piet Mondrian, mais maduro, foi solitário, porque manteve seus propósitos iniciais, ao arrepio dos pintores próximos a ele e de movimentos semelhantes. Numa fase posterior, ele se muda para Nova York, quando pinta sua famosa tela, “Broadway Boogie-Woogie” (1942-43), já perto de sua morte (1944), aos 72 anos. Identificar seu estilo é fácil, mas compreender a essência do seu trabalho como arte, ainda que não se perceba à primeira vista, é complexo, e exige um aprofundamento que não cabe aqui abordar. Seus princípios estéticos influenciaram e continuam influenciando até hoje, o Design Gráfico, o Web Design, a Arquitetura, a Publicidade Visual, a Moda, enfim a maioria das artes visuais, mesmo porque, a estética visual é profundamente dependente do equilíbrio entre formas e cores.

Para saber mais,
pesquise: Piet Mondrian biografia, De Stijl, arte moderna, abstracionismo.

Estudantes - vejam esse assunto no site do colégio São Francisco:
http://www.portalsaofrancisco.com.br/


Sites que pesquisei:

http://artemodernafavufg.blogspot.com/2009/07/exemplo-da-revista-de-stijl.html

http://www.revistazunai.com/officina/visuais/artigos/construtivismo_almandrade.htm

www.artchive.com/artchive/M/mondrian.html